quarta-feira, 16 de abril de 2014

Educação do século XXI: o lugar e o papel do professor e da escola

Contributos para a transformação:


"O professor na educação do século 21"

 

"Como as escolas transformam crianças em adultos medíocres" 


"A Escola face à diversidade"


TEDxLisboaED regressa a Lisboa para debater a educação - "A próxima edição da conferência TEDxLisboaED, dedicada à mudança na Educação, realiza-se no dia 18 de outubro, sábado, no Fórum Lisboa, e terá como mote “mobilizar é agir”."

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Receita de Verão



REFLEXÃO PARA A ACÇÃO    (and now something completely different...?)

Para uma visão real mas positiva do presente, com o objectivo de construir um futuro consciente, sustentável e apetecível, partilhamos e propomos:


Ingredientes: um filme (1h23m) + 2 livros + abertura de espírito


Procedimento:

1. Escolha uma data, local e hora em que tranquilamente ESTARÁ CONFORTÁVEL E DISPONÍVEL (num espaço que goste e se sinta bem, onde não terá interrupções) para  receber informação que já conhece, que repudia, que o incomoda e o entristece, mas que foi organizada de uma forma simples e perceptível, com o propósito de o esclarecer de forma objectiva (NOTA: ASSIM O ENCARAMOS, PARTI DESSE PRINCÍPIO, ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO) sobre o funcionamento do mundo actual.


                       Existindo estas condições - vontade, conforto e disponibilidade 

2. visualize o filme  "Four Horsemen - Os quatro ginetes do Apocalipse", sozinho ou acompanhado, e no final reflicta sobre o que viu.


Após a visualização, reflicta sobre o que viu, tentando reter as ideias fundamentais, e exteriorize o seu pensamento na forma que mais se adequar à sua maneira de ser: tomando notas, escrevendo um texto, partilhando ideias nas redes sociais, dialogando à beira-mar, sobre a montanha, no café da esquina, na pracinha, com alguém que demonstre interesse pelo tema (e não necessariamente com os amigos, que poderão não estar disponíveis), a imaginação é o limite.

Quando o conhecimento que recebeu de forma sistematizada fizer sentido para si, pode passar à fase seguinte - a leitura.

3. Decida encontrar tempos de leitura no seu dia, tarde ou noite, em alternativa à televisão ou a programas que em nada o enriquecem.


3.1. O livro "Uma mochila para o Universo"* servirá para perceber melhor como funcionamos por dentro, e assim poder mudar a sua atitude (segundo a autora ajudar-nos-á "(...) a ser mais felizes, combatendo a tendência natural do cérebro humano para o pessimismo(...)" ).

"Uma mochila para o Universo" pretende, segundo a autora Elsa Punset "(...)  facilitar o entendimento do que nos rodeia, reconhecer a importância das nossas relações com os outros, descobrir que é muito mais o que nos une do que o que nos separa, encontrar formas eficazes de comunicarmos entre nós, conjugar a relação entre o corpo e a mente, aumentar o caudal de alegria que encerramos, organizarmo-nos para conseguirmos fixar e alcançar os nossos objectivos e ajudar o cérebro humano a contrariar a sua tendência inata para «a sobrevivência receosa e desconfiada». 

Treine alguns exercícios mentais sugeridos nalgumas partes do livro.

Adopte o mesmo procedimento de reflexão anterior, para consolidar as ideias recebidas, enquanto durar a leitura do livro (n.º de dias variável, depende do seu tempo e da sua disponibilidade e vontade para a leitura).


Finalmente, quando se sentir melhor com o mundo! (porque compreende melhor as pessoas que dele fazem parte, i.e., todos nós), pode entregar-se - se tiver essa vontade (este é um pressuposto essencial) - à

3.2. leitura do livro "Deus, Dinheiro e Consciência"** sem preconceitos de qualquer tipo (é um diálogo entre um monge e um gestor, mas em que revelam ambos uma profunda tolerância pela diversidade de crenças - é ler para crer!), a fim de ganhar ânimo e garra para os desafios do século.


No fim, terá obtido uma base para a sua acção diária, começando a surgir novos desafios!


Bom proveito!


NOTA: o presente texto corresponde a uma partilha de conteúdos, com a opinião pessoal da signatária sobre os mesmos, e não mais do que isso. 



* "Uma mochila para o Universo", de Elsa Punset pode ser adquirido on-line:

Bertrand
Fnac
Wook


**"Deus, Dinheiro e Consciência", de Anselm Grün e de Jochen Zeitz pode ser adquirido on-line:

Bertrand   
Fnac 
Paulinas 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Desemprego - reflexões e soluções


Partilhamos neste espaço reflexão sobre o desemprego em Portugal, mas também notícias de soluções para quem tem disponibilidade - acreditando que as iniciativas cobrem garantias para quem se aventura. Boa sorte!

REFLEXÃO - notícia de jornal:

Desemprego= Mais Tempo para os filhos: boas e más experiências: http://www.publico.pt/Sociedade/desempregados-tem-mais-tempo-para-os-filhos-mas-isso-nem-sempre-e-bom-1564212


A emigração vista pelas famílias que ficam em Portugal: notícia no jornal Público on-line (em 07/10/2012)


SOLUÇÕES:

1- Part-time sem perder subsídio:

"Quem está desempregado pode aceitar alguns trabalhos sem perder o subsídio e quem obtiver rendimentos mais baixos (de um segundo emprego, por exemplo), no momento em que perder o emprego principal, não fica impedido de receber subsídio." - notícia no site da DECO: http://www.deco.proteste.pt/dinheiro/desemprego/noticia/desemprego-luz-ver-ao-part-time


2- Corpo Europeu de Voluntários para Ajuda Humanitária:

oportunidade de ocupação: ser voluntário em qualquer parte do mundo entre 2014-2020. 

Requisitos: cidadãos europeus e os residentes de longa duração na UE com mais de 18 anos


"A Comissão Europeia apresentou um projeto de uma nova iniciativa global em matéria de ajuda humanitária, que permitirá a cerca de 10 000 pessoas oferecerem-se como voluntárias, de 2014 a 2020, para operações humanitárias levadas a cabo em todo o mundo.(...)!



3Contrato Emprego Inserção para Pessoas com Deficiências e Incapacidades: 

ler post no blog: http://tetraplegicos.blogspot.pt/2012/08/contrato-emprego-insercao-para-pessoas.html?spref=fb



4 - ENGENHEIROS: Mecânicos, eletrotécnicos, informáticos, civis.

A Noruega quer engenheiros de todas as áreas e prefere que sejam portugueses - mais informações aqui



5 - Oportunidades de CARREIRA INTERNACIONAL na União Europeia, Conselho da Europa e Nações Unidas.

Diariamente candidaturas a decorrer em http://www.carreirasinternacionais.eu/



6 - Empregadas (os) de mesa em cruzeiros familiares da Disney Cruise Line, do grupo Disney - Outubro de 2012


Requisitos:
- mínimo 21 anos;
- mínimo 2 anos experiência na área da restauração;
- inglês fluente

Meios de candidatura: cruise@internationalservices.fr  - "A empresa tem cerca de 30 vagas disponíveis para a área da restauração - mais precisamente para empregados de mesa - e vai estar em Lisboa nos próximos dias 24 e 25 (de Outubro de 2012) à procura dos candidatos ideais."

notícia completa: http://boasnoticias.pt/noticias_Disney-recruta-empregados-de-mesa-em-Portugal_12786.html



7 - Vagas diversas em 01 Outubro 2012 - ver este blog: http://blog.ofertas-emprego.com/2012/10/01/5-empresas-tem-40-empregos-em-portugal-por-preencher-em-1-de-outubro-2012/



8 Pixar abre 9 vagas para estágios remunerados (08/10/2012) - notícia aqui

Requisitos: ter formação em design de software, modelação 3D ou programação. Candidaturas em Outubro 2012  no site da Pixar



9 - Vagas na empresa URBANOS (Outubro 2012) - Portugal - ver aqui



10 - Várias oportunidades de emprego no site http://www.ministrum.com/pt/



11 - Recrutamento para a Administração Pública - aberto a qualquer cidadão nacional
                                         - até 13/11/2012 -


Requisitos de admissão:
(...)
"
2.1 – O procedimento concursal está aberto a todos os cidadãos nacionais, no uso dos seus direitos civis.

2.2 – Constitui requisito de admissão ao concurso, em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 18.º do EPD, ter a licenciatura concluída há pelo menos 12 anos. (Engenharia)"


        site e mais informações aqui


12 - Comunicação - novas funções, diversas vagas - fora de Portugal: vd notícia aqui

(05/11/2012)


13 - Portal Europeu da Mobilidade Profissional - EURES - site aqui


14 - Enfermeiros - concurso público  JANEIRO 2013 - data limite: 23 Janeiro 2013 - condições do concurso - Aviso 449/2013 - Centro Hospitalar do Oeste



15- Professores - Moçambique - notícia de 7 de Janeiro 2013 -

"As vagas actualmente existentes na escola são as seguintes: uma para EP 1, uma para EP 2, uma para Ensino especial – NEE, duas para Português, uma para Matemática, uma para Física e uma para Química. Os profissionais interessados poderão contactar o director da escola (tel. 827 210 490) para marcação de entrevistas. "

fonte: http://crhlp.org/actualidade/noticias/2012/JAN13/oportunidades_mocambique_professores_portugueses.html


16 - Informáticos - candidaturas entre 17 e 23 Janeiro 2013: http://www.fc.ul.pt/concursos?id=314



17 - Relações Internacionais - candidaturas entre 17 e 25 Janeiro 2013: http://www.fc.ul.pt/concursos?id=313


18 - Psicologia Clínica - candidaturas entre 17 e 23 de Janeiro de 2013: http://www.fc.ul.pt/concursos?id=315


19 - Bolsas CoopJovem = incentivos mensais entre €691,70 e €419,22 consoante as habilitações académicas dos candidatos. Cfr  http://www.cases.pt/programas/coopjovem   


20 - Departamento comercial e de engenharia de software da OutSystems 

 "Multinacional portuguesa procura 40 colaboradores" cfr. notícia e site 
"(...)O processo de recrutamento será efetuado não apenas através de referência de colaboradores, mas também de candidaturas espontâneas no website da empresa que podem ser submetidas pelos interessados e de contactos resultantes das iniciativas promovidas junto de Universidades, em diferentes canais na Internet e com agências. (...)"


21 - Estágios Remunerados União Europeia - candidaturas até 31 Janeiro 2013

Requisitos:   

1 - licenciatura, mestrado ou doutoramento em áreas como Economia, Gestão, Direito, Relações Internacionais Ciência Política ou Interpretação-Tradução;

2 - domínio de pelo menos uma língua estrangeira (inglês, francês ou alemão)

vd notícia no Público on line e site da Comissão Europeia (candidatura)


OBSERVAÇÃO: iremos actualizando este post à medida que tivermos acesso a informação que nos pareça pertinente e credível.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Trabalho - que filosofia para o séc. XXI? (II parte) - reflexões sobre empregadores


Parece-nos que o empregador do séc. XXI tem um enorme DESAFIO pela frente: a par das dificuldades e reposicionamentos que o mundo da economia atravessa, pode tornar-se exemplo do que deve ser uma entidade que tem à sua responsabilidade o ganha-pão do trabalhador que emprega.

Convidamos os empregadores a não esquecer o contexto dos trabalhadores actuais, a olhar o potencial dos que acabam de chegar ao mundo do trabalho, e a gerir da melhor forma o acolhimento do trabalhador nas novas funções. 

COMUNICAÇÃO INICIAL – fundamental para um bom começo. O que torto nasce, tarde ou nunca se endireita, pelo que se logo de início ambas as partes se empenharem em falar do essencial da função, dos objectivos que o empregador pretende ver atingidos, dos meios que o trabalhador tem ao seu alcance para os atingir, da dedicação que este colocará ao serviço da unidade produtiva para realizar a sua actividade e da colaboração necessária em reportar ocorrências que a prejudiquem, são alguns aspectos que, estamos convictos, não deixarão dúvidas sobre a função de cada parte.

A responsabilidade só pode exigir-se quando há clareza na comunicação do resultado pretendido.

Uma nova atitude com mecanismos de controlo, que validem e reconheçam – directa ou indirectamente – as boas práticas empresariais é a forma mais transparente de os empregadores ganharem a confiança dos trabalhadores.

A impunidade com que muitas empresários têm sido "prendados" nos últimos anos, pelo facto de o sistema permitir, pela ineficácia ou inexistência de controlo, que uma empresa declarada falida, ou, na nomenclatura actual, insolvente, possa com facilidade abrir actividade noutro ramo, deixando os trabalhadores sem qualquer forma de verem os seus créditos satisfeitos – esvaziando de conteúdo o “privilégio creditório” sobre outras dívidas da unidade produtiva – é totalmente inaceitável e violadora dos princípios de um Estado de Direito.

O que falta são pré-requisitos para se poder ser empregador, e meios de controlo – espontâneos até – para quem o é. 

Trocando por miúdos: 

Não seria desejável uma lista pública de empregadores com registo de inexistência ou existência de contra-ordenações laborais, que os trabalhadores ou prestadores de serviços pudessem consultar antes de iniciar qualquer relação contratual?

Esta lista seria o produto duma acção concertada de todos os organismos oficiais ligados ao funcionamento de empresas que podem aplicar contra-ordenações ou que de algum modo supervisionam a actividade empresarial .

Solvabilidade, inexistência de dívidas e outra informação relevante actualizada junto do registo comercial…

Não se justificaria uma optimização da informação disponibilizada nos bancos de dados existentes, nomeadamente ao nível do registo comercial e do portal da empresa – por exemplo, disponibilização de informação de existência ou inexistência de execuções contra a entidade empregadora, existência ou inexistência de obrigações creditícias, incumprimento de obrigações contributivas e fiscais?

Havendo vontade de transformar o estado em que nos encontramos em muitos sectores laborais – desalento, incredulidade, passividade – queremos acreditar que podemos avançar sem medos para um século que tem tudo para evoluir – basta usar o que temos ao nosso alcance.




Esta reflexão resultou da partilha de ideias com Rui Maurício, no que respeita à busca de soluções assentes na utilização das tecnologias ao serviço do bem comum.


Actualização em 22/06/2012 - a propósito deste post, cfr. as melhores empresas para se trabalhar em Portugal  e na União Europeia conforme classificação recente, publicada no blog da consultora Great Place to Work Institute - http://www.greatplacetowork.net.


Existe o programa GREAT PLACE TO WORK criado pela Comissão Europeia em 2002 com o objectivo de apoiar a economia europeia, distinguindo empresas bem-sucedidas a operar na União Europeia (apuradas segundo vários critérios, entre os quais o ambiente de trabalho).


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Trabalho - que filosofia para o séc. XXI? (I parte)

Vivemos hoje num mundo vertiginosamente rápido e tecnológico, que nos dá pouco tempo para agir, e muito menos para pensar. Pois se a tecnologia nos proporciona muitos momentos de lazer, também nos impõe, para ser eficaz, um sem número de procedimentos e escolhas que muitas vezes não são ponderadas – porque não há tempo.


Numa altura em que Portugal está suspenso à espera das alterações ao Código do Trabalho, e muito se escreve sobre cessações de contrato, retrocesso nos direitos adquiridos, e despedimentos facilitados, propomos uma reflexão diferente sobre o paradigma do factor trabalho nos dias que correm.


Dialéctica na relação laboral

A confiança não se ganha, conquista-se. A relação laboral – entre empregador e trabalhador – inicia-se com um contrato, mas desenvolve-se através dum relação de confiança, que necessariamente tem de ser mútua, que ao longo da vida do contrato tem de ser continuamente alimentada, reconhecida, desenvolvida. E esse desenvolvimento só pode conseguir-se com esforço, dedicação e lealdade de ambas as partes.

O empregador espera do trabalhador que ele tenha a noção de que a sua retribuição mensal depende do que produzir, pois é o produto do seu trabalho que gera riqueza para a entidade empregadora, e que esta irá usar para lhe pagar.

O trabalhador espera do empregador uma demonstração periódica da importância e da utilidade da sua função (não foi para isso que foi contratado?), esta manifestação é vital para manter a predisposição para o trabalho.

A relação laboral é uma relação dialéctica, tem de existir interacção entre quem contrata e quem é contratado, tem de haver empenhamento mútuo, e não parcial.

O trabalhador deve estar grato por encontrar um estrutura que lhe oferece sustento; o empregador deve estar grato por ter alguém que dá importância à sua máquina de produção.

O potencial de cada trabalhador deve ser por si explorado, e pelo empregador reconhecido. A intersecção destes dois pontos é difícil, mas deve ser sempre o objectivo de cada uma das partes.

A boa organização do trabalho, a correcta definição de tarefas, a vigilância positiva, o reconhecimento expresso do trabalho bem desenvolvido, são factores necessários a uma boa relação de trabalho.

Se cada uma das partes se dedicar verdadeiramente a dar o seu melhor, e ao mesmo tempo reconhecer a função da outra parte, o resultado tem de ser positivo! Sim, porque não basta empenharmo-nos – há que reconhecer o empenho do outro – e este, terá de existir!


Processo produtivo

Na História resumida do processo produtivo poderemos encontrar 4 grandes fases: economia recolectora e troca directa, esclavagismo, feudalismo e capitalismo. Ou, numa perspectiva de actividades predominantes, sociedade agrícola, sociedade industrial, sociedade da informação e da tecnologia de computação. Como recuperar a satisfação pelo resultado da economia recolectora, quando se é apenas parte de um processo na economia capitalista e da tecnologia?

Uma das grandes desvantagens da produção em série é precisamente a repetição exaustiva de tarefas, parecendo o trabalhador mais um autómato que uma pessoa – portanto gerando a desumanização do trabalho. Interromper estas actividades repetitivas, intercalando-as com outras que permitam o desenvolvimento e aproveitamento de outras potencialidades do trabalhador, serão algumas das soluções que permitem manter o trabalho e também o capital humano de quem o desenvolve.


O compromisso

O Engagement – que mais não será que compromisso de entrega – de que hoje tanto se fala mais não é que parte da solução para encontrarmos o novo paradigma do factor “trabalho”.

O empregador como fornecedor de estrutura de trabalho deve comprometer-se a respeitar o trabalhador como pessoa que é, pelo que tem o direito de exigir trabalho enquanto contrapartida de um dever de pagar atempadamente uma remuneração - agora designada retribuição.

O trabalhador como prestador de uma actividade deve comprometer-se a respeitar os objectivos e fins do empregador, as regras que este impõe no desenvolvimento da sua actividade, enquanto contrapartida do seu direito à retribuição.

A conquista de um bom trabalho deve atingir-se pelo empenho real e concreto, pela lealdade e proactividade, e não pela exigência pura de direitos consagrados constitucionalmente. Trabalho remunerado tem de ser merecido, e não pura e simplesmente ganho pelo facto de existir um vínculo laboral legalmente vigente.

Pois mesmo que a lei atribua direitos a quem trabalha, a sua conduta será sempre a sua marca, e é essa que mais interessa.


A lei e os empregadores

Parece-nos pertinente indagar o seguinte: se a própria legislação laboral preconiza que a relação de trabalho é uma relação de confiança, com que força pode ser exigido a um empregador que mantenha ao seu serviço pessoas que já não lhe merecem confiança?

Ainda que saibamos que muitos empregadores não têm perfil para o ser – pois falta-lhes capacidade de liderança, de diálogo e de boa fé para com quem empregam – como se lhes pode exigir que mantenham vínculos de trabalho com quem já não confiam?

Há muito que defendemos que a vigilância positiva é uma das formas de pôr cobro a estas situações. Pois fiscalizando-se o trabalho de quem se emprega, reconhecer-se-á a sua utilidade, o seu valor, e até a sua versatilidade. Ou inadaptação. E o trabalhador também deverá ter a humildade de reconhecer quando não se ajusta a determinada actividade. A dificuldade surge, é claro, no “quem guarda o guarda”, ou seja, quem garante que determinada fiscalização foi correctamente efectuada. Esta questão, quanto a nós, só resulta com competência.

O procedimento disciplinar, enquanto instrumento da vigilância positiva que falamos, tem sido o “mal amado” nos últimos anos, não pelas vezes que é utilizado – quanto a nós, demasiado parcas – mas pela forma como é utilizada pelos empregadores. E no entanto, que melhor e mais leal instrumento poderá existir que um procedimento que garante o direito de defesa do “investigado”, mas também um excelente meio de o empregador se aperceber do que se passa com a sua estrutura produtiva? Só o desconhecimento das virtualidades deste instituto poderá justificar a sua fraca adesão.


A gestão jurídica dos recursos humanos

A gestão jurídica dos recursos humanos também passa por aí: qualquer comportamento que se afigure como contrário aos objectivos do empregador, lesivo dos seus interesses, que possa comprometer a relação de confiança entre trabalhador e empregador, deverá ser por este prontamente esclarecido, nem que seja necessário iniciar um procedimento disciplinar. Pois se é de disciplina que se trata, ou da ausência dela, do que é que se aguarda? O procedimento disciplinar não é um instrumento apenas necessário para os despedimentos – aliás, o despedimento é a última sanção aplicável a um trabalhador!
A rotina de acompanhamento, uma vez introduzida, só poderá trazer bons resultados. Pois é sinal de que o empregador se preocupa e se interessa pelo desempenho do trabalhador – e é assim que deverá ser entendida e interiorizada por este -, o que incentivará (ou, por vezes, obrigará)  o trabalhador a ser mais diligente no cumprimento dos seus deveres laborais.


O desempenho pessoal

O trabalho no séc. XXI passa pelo desempenho e esforço pessoal – cada qual na sua função. Reconhecendo direitos e cumprindo deveres, nada mais simples.



Proximamente publicaremos a nossa reflexão sobre a aptidão para o "ser empregador" no séc. XXI.